9 de julho de 2009

MAKTUB...


 Fiquei a pensar sobre o que iria escrever hoje: Temas não me faltam. Mas resolvo sempre voltar no mesmo assunto... : AMOR!!!
Existe assunto maior e melhor que esse? Não quero falar do amor profano, esse  é superficial. Quero falar do sublime : Esse que toca o coração e a alma . Esse que reúne o que estava predestinado e foi perdido.
Ele aparece sem que percebamos, ou se vai, sem que queiramos; o que magoa e faz magoar. O correspondido e o não - correspondido ...
Falo do sentimento em si : não das coisas que ele nos faz sentir. Aquele AMOR que forja dentro de nós a força e a coragem que nunca havíamos experimentado antes. Que faz nosso coração pulsar mais rápido, mesmo contra nossa vontade. Não é poesia que falo: isso é fato nas nossas vidas... Sem amor não viveríamos! ...
A coisa que mais cativa sobre o amor, é a maneira como ele é demonstrado: Em silêncio, ele nos faz prisioneiros do querer de outro e na liberdade, ele grita nos telhados pra ser visto por todos  ... rs.
O Soneto de Camões foi incisivo e preciso nas palavras : " ... ainda que eu falasse a língua dos homens,  e falasse a língua dos anjos, sem amor eu nada seria! " E não seríamos nada mesmo.
O amor maior é aquele que se dá, mesmo sem esperar retribuição. Esse é o verdadeiro, o mais puro! ... é o amor MAKTUB, aquele que está escrito e ninguém apaga! ...O amor do desapego e do merecimento. Dos perfeitos!
No amor não há inadimplemento. Ele é doação. É difícil amar com desapego... Deveria ser uma espécie de amor de mãe, mas sem sê-lo. Essa é a forma correta de se amar. Aquele amor de querer a felicidade do outro. Aquele que você se doa sem peso e medida, aquele que não destrói nada e não cobra nada em troca. Esse é o sublime e verdadeiro. E vai ser recompensando (se não for realizado por causa de terceiros, de destino) , essas coisas que dizem nossa vã filosofia. Mas que é fato! A amores que levam décadas pra se concretizarem. O amor profano se consome com o fogo do entusiasmo .
Quando as coisas não dão certo e o amor se vai, ou não se concretiza: ficamos impávidos ! Na esperança que algo maior venha e nos ajude a desvendar esse mistério: O da separação. Que normalmente nos amores verdadeiros, acabam sendo transitórias... Deus não permitiria que duas almas que nasceram pra ficarem juntas (depois de se encontrarem); se separem por causa de efeitos externos, pessoas más ou interesseiras, etc...
Mas, quem é ímpio em algo maior,  quem não acredita em si mesmo ou  no amor que sente;  nunca será realmente recompensado: sua dúvida não faz o merecimento da felicidade plena . O amor verdadeiro pode até ir embora, mas ele tem reminiscências (no coração daqueles que ele habitou) e normalmente volta pra retormar o que ficou pela metade, ou indefinido entre duas pessoas... O que não pode ser, por algum motivo.
Sheakespeare disse uma vez:
" Impedimentos não admito para a união de corações sinceros..."
Eu complemento com minhas palavras: Se estiver escrito no tempo e no espaço: MAKTUB!!!!!!
 " Nem o tempo apagará um amor que deve ser concretizado e não foi... Se concretizará porque está escrito!"
 PS.: Hoje fui inspirada por alguém que está sempre comigo, que me dá forças...
Sou abençoada e sei que " NÓS" estamos protegidos por uma força invisível e maior do que tudo. Confiai e Orai! Estou aqui.

3 de julho de 2009

EU... POR OSCAR WILDE


LOUCOS E SANTOS
Escolho meus amigos


não pela pele ou outro arquétipo qualquer,


mas pela pupila.


Tem que ter brilho questionador


e tonalidade inquietante.


A mim não interessam os bons de espírito


nem os maus de hábitos.


Fico com aqueles


que fazem de mim louca e santa.


Deles não quero resposta,


quero meu avesso.


Que me tragam dúvidas e angústia


e aguentem o que há de pior em mim.


Para isso, só sendo loucos.


Quero os santos para que não duvidem das diferenças


e peçam perdão pelas injustiças.



                                              Escolho meus amigos pela alma lavada





                                                                  e pela cara exposta.



                                                         Não quero só o ombro e o colo,



                                                      quero também sua maior alegria.



                                                              Amigo que não ri junto,



                                                                não sabe sofrer junto!

  Meus amigos são todos assim:

 metade bobeira, metade seriedade.



Não quero risos previsíveis,


nem choros piedosos.


Quero amigos sérios,


daqueles que fazem da realidade


sua fonte de aprendizagem,


mas lutam para que a fantasia não desapareça.

        Não quero amigos adultos,

nem chatos.


Quero-os metade infância


e outra metade velhice!


Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto;


e velhos, para que nunca tenham pressa.


TENHO AMIGOS PARA SABER QUEM EU SOU.

                                                     Pois os vendo loucos e santos,


bobos e sérios,


crianças e velhos,


nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.

(Oscar Wilde)

23 de junho de 2009

A MULHER EMANCIPADA

Esse post é em homenagem a um amigo querido! que conhece as mulheres como niguém: RICARDO KELMER.
Ele expressa com maestria toda a essência da alma feminina ... Descasca a natureza feminina de forma tão singela e verdadeira no seu blog que é impossível não partilhar de sua visão pessoal e completa do universo feminino.


Vou falar hoje sobre o universo da mulher emancipada. Aquela que sabe o que quer e não espera por nada e nem por ninguém : FAZ ACONTECER!
No meu entender as MULHERES EMANCIPADAS são aquelas que dizem o que gostam num homem o que buscam  e o que querem dele. Elas não tem problemas de ordem sexual : entendem que a monogamia pode ser de alma, de sentimento, mas não de corpo. Elas querem a fidelidade de sentimentos: que o parceiro esteja inteiro com ela no sentidos e não no corpo. Elas não querem ser apenas uma imagem tatuada no pensamento e no coração do homem delas. Elas querem ser a companheira insólita nas aventuras mais loucas e mundanas que podem existir na vida, sem frescura.  A mulher emancipada consegue isso sem tabu.

São mulheres que sabem vestir a roupa certa, na hora certa e tirá-las na hora certa e no tempo certo. Tem a sintonia perfeita entre o corpo e o sorriso. Sabem encantar sem ser vulgar ou ostensiva. Sabem usar o que tem de melhor nelas, sem nenhum pudor bobo. Andam sozinhas, de cabeça erguida. Vai à festas sem amigas, para fazerem companhia, e sabe se divertir sozinha. Não precisa que ninguém diga à elas, que são especiais. Faz "ar blasé" com isso, quando alguém diz. Elas sabem de suas qualidades e não precisam demonstrá-las ou incentivar pessoas pra que digam o quanto é ESPECIAL. Ela sabe que é, pronto! "Puxasaquismo" não funciona com elas: É falta de personalidade e  inveja pura em alta densidade.

A mulher emancipada não transa com qualquer cara; mas tem vontades como todo mundo. Elas só transam no primeiro encontro se a química bater forte ou se o "cara" valer à pena. Ela não se importa com que o parceiro da noite, vai pensar dela. Elas não sofrem de baixa auto estima, são seguras das suas escolhas. Se a coisa desandar, levantam da cama e vão embora.

É bom desmistificar que a mulher emancipada é feliz. Ela nem sempre é, com sua liberdade. Mas sabe na maior parte do tempo, ser feliz fazendo bom uso dela. Nunca fica só, não mendiga amor, atenção, exclusividade de homem nenhum. Nunca "fica" com ninguém por pena ou por que está só: Gosta da solidão desafiadora. Porque é na solidão que ela encontra o equilíbrio pra continuar sendo como é, segura ! Mesmo estando só por opção ...

Ser emancipada não é um conceito de vida pré-ordenado pela sociedade. É um posicionamento pessoal sobre a sua sexualidade, sua presença no mundo social, na sua vida ... Elas são donas da sua "buc...tas! rs.
Não precisam se explicar perante a sociedade, a sua família e nem a si mesmas no espelho. São radicalmente contra a família tradicional : pai, mãe e filhos. Elas criam seu conceito pessoal de família, que podem ser homo, bi ou tri sexual. Sem neuras ...Elas sabem que família não é sinônimo de felicidade; mas estar bem com elas mesmas,  é sinônimo de tranquilidade e de equilíbrio.
Normalmente mulheres emancipadas tem poucas AMIGAS. Outras mulheres não conseguem entender o   comportamento que toda mulher emancipada tem, de ligar o " Fod ... - se e ser feliz! " Até alguns homens se assustam com a calma e a segurança dessas mulheres. Poucos a encaram... Fogem assustados...
As mulheres as invejam e as criticam: Falta coragem de querer ser igual.

Elas fazem da vida uma festa! São ótimas companhias pro sexo masculino na amizade:  nunca rejeita uma ida ao Maracanã, um jogo de sinuca , uma balada louca, uma saidera ... Sem precisar "carregar" amigas atrás, pra se garantir. Mulher que anda igual " um bando de galinhas, cacarejando juntas", nunca será uma mulher emancipada. Isso é coisa de gente insegura. Que precisa de olhar de cumplicidade pra ter coragem. A verdadeira mulher emancipada, detesta esse comportamento e não tem sequer amigas ...
Elas só se reunem, pra contar as agruras que passam (entre risos de cumplicidade) em  almoços, durante a semana ou num chopinho descompromissado numa sexta à noite depois do expediente. A mulher emancipada tem vida social , sozinha ! Não tem tempo pra "ficar de fofoca" com amigas. O tempo está a urgir pra ela, e ela acompanha o ritmo da vida com a mesma rapidez que se recupera dos erros cometidos e das decepções.

A mulher emancipada sabe viver bem, não precisa de um homem pra ser feliz e nem pra viver . Precisa dele pra compartilhar a vida de forma aventureira e torná-la mais divertida. Elas não confudem amor e sexo. Sabem que sexo pode existir, sem amor . Mas quando amam, amam com a razão e nunca com o coração... São intensas e nunca são ciumentas. São cerebrais: Inteligentes e colocam qualquer uma inferior à elas pra correr. Nenhuma mulher consegue disputar um homem com uma mulher emancipada. Por quê? Porque elas não precisam disputar. Tem sempre as melhores e as mais variadas opções. E são capazes de tripudiar em cima da pobre coitada que atravessou o caminho dela . Dizendo assim:
- Pode ficar com o resto queridinha ! não quero mais ... Já "cuspi" o caroço fora. Mas se eu fizer um sinal,  saiba  que ele vem correndo...
Elas sabem que isso é verdade. Tem poder de sobra pra reverter qualquer situação. Não são abandonadas, dão um tempo. E sempre rola "flashback" com a mulher emancipada;

A mulher emancipada sabe viver o melhor da vida e tirar das situações mais inusitadas, lições importantes para seu crescimento interior. Nada é perdido, sempre acrescentado nas suas experiências de vida . O amor pra ela, não é desafio, nem solução,  nem "coisa" do outro mundo. É um laboratório de "experiências emocionais". E ela sempre tira o melhor disso tudo, em seu proveito. Ela ama com sabedoria. Ela ama com a razão, com seu EU emocional, equilibrado. E nunca com as agruras de quem se debate num mar de insegurança ou incertezas. Ela já passou dessa fase.


BLOG DO MEU AMIGO: Dê uma conferida...

http://blogdokelmer.wordpress.com/

8 de junho de 2009

GENTILEZA...


Ela chegou meio que ressabiada. Era sua primeira semana de trabalho. Bateu na porta e entrou, me olhando meio que desconfiada e receosa;  perguntando : - Dra, posso entrar ?
Eu assenti com a cabeça  e a mandei entrar... Ela perguntou se incomodaria sua presença. Disse que tinha chegado tarde devido ao trânsito. Perguntou se eu queria um café, e se mostrou interessada pelos papéis sobre à mesa.
Perguntou-me num suspiro: -  Isso tudo é seu trabalho? deve cansar muito ler tudo isso.  Trabalho no muque, mas a cabeça fica leve, Dra...
Me peguei quase que por um instante, sentindo inveja de tanto entusiasmo: Tão humilde na sua condição de  serviçal naquele momento , mas tão consciente de sua importância no mundo; quando dizia que gostava do seu trabalho, apesar de cansativo e pesado.
Enquanto ela procurava dar uma ordem à minha volta limpando, eu a observava. Ela constantemente  interrompia a leitura da papelada que eu deveria pôr em dia; e me pergutava a todo instante alguma coisa.  Eu não sabia o que dizer! Então, resolvi ouvir suas indagações por algum tempo.
Dizia que estava ajudando a abrigar uma vizinha que havia apanhado do marido e tinha sido "posta pra fora" de casa . Com pena da moça e da criança de 2 anos, resolveu abrigá-los no seu humilde lar. A faxina lhe renderia algum extra aquela semana e ajudaria no sustento dela e das novas "protegidas".
Indaguei o por quê de tanto desprendimento e ela foi incisiva na resposta:
- Dra , eu não sei!! Mas olhei pra mulher naquela situação e senti no dever de ajudar. Ela veio pro Rio com o marido. Vieram de Sergipe há 3 meses e ela não conhece ninguém aqui. Um dia, eu precisei dela e ela me ajudou. Hoje me sinto no dever de ajudar também.
Na mesma hora me veio os dizeres do poeta GENTILEZA : " GENTILEZA GERA GENTILEZA"
O poeta das ruas visionário, que pregava de forma singela o seu amor ao próximo.
O que levou um homem abandonar uma família bem estruturada, pra seguir o chamado que ele julgava ser de DEUS, após um sonho?
GENTILEZA fez isso... Sem se importar se seria mal interpretado ou não, pela sociedade de costumes  rigorosos na época. Ele julgava que estaria fazendo a sua parte no mundo. E o fez .
Após saber que muitas pessoas morreram num incêndio, em um circo na década de 70, ele se sentiu incomodado com a vida confortável  que levava.  Após um sonho revelador, a decisão: Disse que a partir daquele dia, peregrinaria pelas ruas do Rio de Janeiro e pregaria o amor ao próximo, na sua forma mais suscinta : Através de palavras! Escritas pelos muros da cidade. Um incentivo à prática da GENTILEZA, com a humildade de servir : O dar, sem esperar retribuição. Suas palavras se perpetuaram no tempo.
A GENTILEZA daquela mulher tão simples com uma vizinha, me remeteram as palavras do Profeta GENTILEZA e me comoveram . Ela tinha tanto que dizer e ensinar na sua atitude ! Ajudava sem se preocupar se a sua bondade mereceria reconhecimento posterior,  por parte da sua "protegida".
Fiquei sem saber o que dizer, ou pensar. No final do dia, o pessoal ao meu pedido, fez uma "vaquinha" e ajudou a reforçar sua "diária" . Ela às lágrimas de surpresa, disse que não sabia como agradecer tamanha ajuda inesperada. 
Fiquei sabendo dias depois, que sua "protegida" havia resolvido voltar pra Sergipe. Com o dinheiro arrecadado e mais alguma ajuda de outras pessoas. Comprou as passagens e voltou pra sua cidade; deixando pra trás, o marido agressor. Em cima de minha mesa, um bilhete escrito com caligrafia bem tosca: O agradecimento à todos, pela ajuda recebida. Entregue de forma solene, pela sua "porta-voz".
Ela tinha feito a sua parte. Trabalhava sorrindo na semana seguinte, de alma leve. Perguntei o motivo de tanta alegria e ela me disse...
- Dra , ela foi feliz daqui! Aqui ela estava triste e solitária . A vida dela era lá, na sua cidade. Veio seguindo o sonho do marido... Lá a família dela, mesmo sendo pobre, a ajudaria.  Eu que  fiquei triste . Mas se elas estão feliz, também estou...
Ela me ensinou que gentileza não gera somente gentileza. Gera PAZ de espírito. Aquilo que fazemos à alguém (de bem), nos conforta, nos tranquiliza . Não importa se sua atitude vai ser ou não, bem interpretada. A tranquilidade na sua alma dará a certeza que você fez o certo . Aprenda a ouvir seu coração: esteja aberto pra servir, com gentileza. Mesmo que no momento não pareça ter sentido sua atitude, faça ! verá como te fará bem a alma, ajudar alguém .
Bem disse o Profeta Gentileza: "Gentileza gera Gentileza"...

23 de maio de 2009

Aparente distância



Eu te adoro e tu não sabes...
Eu canto e tu não ouves...

Adoro-te secretamente pra que ninguém descubra o por quê romântico dos meus versos alegres, que me trazem você.

 Só no silêncio revela-se a melodia
Deste antigo sentimento que surge nas horas de solidão, povoada por seus gestos e palavras .

Tudo acontece sem que o mundo perceba o motivo tão puro dessa tímida contemplação,
que me traz você.

Sim! sou bem parecida com o sol, adoro a lua,  na sua aparente distância
No deserto e espaço que nos une.

Poetizo com o olhar, canto em silêncio...
Tudo isso pra que teu coração sinta e ouça esse dizer, sem que eu precise contar tudo isso à você .

13 de maio de 2009

Reaprendendo

Ela me liga meio que desesperada, no meio da tarde, tentando desabafar...

- Aly! ele não quer mais, o que faço?

Se conselhos fossem bons, não seriam dados, nem vendidos: Nasceríamos com a solução de todos os nossos dilemas. Viver seria bem mais fácil e prático. Não precisaríamos de opiniões alheias.

Disse à ela que tinha feito o que podia; e ele, fez a escolha dele.

Algumas pessoas gostam de percorrer o caminho mais fácil. Não quer dizer que seja o mais seguro. Nem sempre escolher o óbvio, o oferecido, é a solução prática pra qualquer coisa, ligada à felicidade.

Não existem fórmulas pra detectar se aquela pessoa vai te fazer feliz ou não. Partimos da premissa, que se ela opta pelo que é mais fácil e cômodo, sinal que é uma pessoa egoísta  e sequer vale o esforço de tentarmos aceitar isso, em alguém que amamos.

Ela o amava mesmo assim, o queria de volta. E eu a indagava sucessivas vezes e ela dizia:

-  Não me explica, não quer conversar . Quer um tempo pra pensar. 

Quem precisa de tempo pra pensar, já fez sua escolha: E você não é ela, a opção escolhida. Nunca pergunte o motivo nesses casos, você não vai gostar de ouvir a resposta.
Se ele quer tentar alçar outros rumos, o incentive. Às vezes a queda se faz necessária para se aprender o valor das coisas.  Tudo fácil, geralmente esconde uma "arapuca". Nesses casos, a dor da decepção é inevitável.

Eu disse à ela:
-  Abandone-o, deixe -o de lado... Você não pode ser a mártir dessa estória. Se ele optou pelo cômodo , será como andar no vazio...Nada que fizer, vai lhe dar a segurança necessária, nessa situação. Insistir pra quê?

Me indagando o por quê, eu completei:
-  Aquele que opta pelo mais fraco emocionalmente, aquele que sequer manifesta sua vontade pessoal, que se deixa manipular por alguém - almeja no mínimo -  a sua satisfação egoística momentânea nos sentimentos.  Imagine duas pessoas partilhando da mesma vontade, simultaneamente? Não tem como dar certo. A desconfiança e a insatisfação passam a ser perene.

Ela riu ao telefone, se sentindo mais confiante.

Incrível como as pessoas tem dificuldade pra enxergar o óbvio. Pessoas não são muletas de sentimentos: São apenas pessoas. Se você busca a satisfação das suas carências em alguém, não vai ser feliz nunca. Ninguém ensina nada à ninguém. Nem supre nada de ninguém...Muito menos sentimentos.
Apenas nos aprimoramos, como pessoas. O aprendizado não é com os ensinamentos de ninguém, e sim, com nossos erros constantes.
Se você sofreu, não vai fazer de novo. Vai tentar outra forma de não errar mais, se corrigindo.

Agradeceu a ajuda. Sim!  a ajuda. Conselhos não existem.
O que falamos aos outros, são apenas um panorama sincrítico da situação. Essa é a ajuda. A solução, nós mesmos que damos, quando encaramos a dimensão do fato.
Ninguém soluciona, complementa nossos anseios ou nossas vidas, com conselhos. O que fazemos na vida é apenas dar opções; pra que as pessoas busquem a melhor forma de solucionar seus problemas pessoais. Não há  possibilidade de alguém encarar isso como conselhos: Eles são ideologias fechadas! Nesse caso, não são aplicáveis. A margem de erro é grande. Não dou conselhos, nem soluções: dou opções.
Opções de entendimentos. Entender a lógica dos fatos e sua mecânica, é a maneira mais fácil de se chegar a uma solução. Simples assim...

Ela agradeceu, dizendo que já tinha tomado sua decisão:

-  Vai ficar do jeito que está! Não vou procurá-lo. Se ele quer assim, assim será . Deixa ele achar que fez a escolha certa. Obrigada Aly! eu entendi...

Ela percebeu que estava errando acintosamente. Tentando chamar à atenção dele, pra aquilo que ela julgava estar errado. Estava errado? Ninguém poderia julgar, só houve uma escolha...
O erro se perfaz com as escolhas erradas. E ainda era cedo pra julgar se ele estava errado ou não.

Essa é uma pequena lição de como não interferir na vontade alheia.

Dê espaço pro outro errar, sem sua ajuda. Faz parte do aprendizado, confiarmos nas nossas escolhas e depois perceber que erramos .

Daí em diante, qualquer decepção é vista como aprendizado. O arrependimento batendo, é a forma da pessoa que te magoou saber que você foi imparcial. Isso demostra seu caráter, em relação à pessoa que te maltratou, de início. Ela que deve se sentir culpada. Não você. Quem erra sozinho, não pode culpar ninguém por suas escolhas. Lembre disso.

Bjs e me liga amanhã...rs.


8 de maio de 2009

O que eu não entendo...

Chego em casa  e ainda tenho o hábito de olhar em volta, e ver se as coisas estão no seu devido lugar.Tinha a intenção de que você viesse um dia, para experimentar meu mundo particular,talvez gostasse e resolvesse ficar. O celular toca, um sobresalto!(mesmo que eu não queira, no coração)Olho meio de relance o aparelho, mas com os olhos ávidos de desejo; querendo que fosse você. Vejo o número ... Não é! pra que vou atender então??? 
Ninguém há de me dizer o que eu realmente gostaria de saber...
Olho em volta as minhas conquistas:  percebo que a liberdade e a felicidade não se completam naquele espaço físico(meu lar) ou na  vida que levo, livremente. Às vezes, sem querer, ficamos cativos de pessoas! Então percebemos que a liberdade nesse momento perde completamente seu sentido e valor... 
E mesmo que o mundo pareça tão grande e desafiador; você percebe que ele é pequeno, diante de coisas maiores que existem dentro de você: as quais você não consegue sequer dominar, desmistificar: os seus sentimentos por alguém.
É nesse quesito que você se torna absolutamente impotente: não há desafio no mundo maior do que "roubar" o coração de uma pessoa. Se você fica cativo dela, quer cativar também.Não há nada melhor na vida que locupletar a vida de quem se gosta! Se não consegue; não há nada que se possa fazer. Não há regras a serem obedecidas!
- "... já venci mil guerras, já levei porradas, dominei meus medos, já cavei trincheiras no meu coração..."
 Já conquistei respeito, admiração, sucesso, homenagens de quem me cerca.
Subi...subi...subi, mas não alcancei você, nem seus anseios...pensava ser tão fácil te agradar.
Não entendo...
 Preciso escrever agora: concluir trabalhos atrasados, a tese ainda não terminada por falta de interesse. As palavras embaralham na minha mente, minha mão congela sob o teclado: não sabia que suas palavras(absorvidas por mim); ainda pudessem gritar tão altas, a ponto de eu não conseguir sequer escutar os meus  próprios pensamentos!
Não entendo...
Vou à janela e olho a rua vazia, mesmo sendo ainda tão cedo, nesse lugar tão calmo. Penso e ainda me pergunto: "devo voltar ou não?" Embora já tivesse decidido que sim; ainda me pergunto se  vale a pena. Reconquistar o quê?
Não entendo...
Tantas lutas e vitórias, muitos reconhecimentos, homenagens, nenhum parabéns ou olhar seu, pra dividir isso tudo: nada! 
Os dos outros? não importa! 
Não entendo...
Ando me escondendo: na tentativa quase infantil de me esconder de você, também. Somente me mostro pra quem quero! As glórias são minhas!(você sempre me olhou, mas não me via crescer diante dos teus olhos, pra que saber?) não vou dividí-las contigo...Mas eu queria!
Você ainda não quer enxergar quem eu sou. Só interessa à você o que perco... ou os meus fracassos?
Então precisa ser assim? 
Eu não entendo...
Termino as responsabilidades, horas vazias que precisam ser preenchidas. Olho nossas formas de contato e você não está em nenhuma delas, nenhum recado...nada! Já me esqueceu? (eu sempre afirmei que voltaria...)
Não entendo...
Tentei em vão ler: mas as letras embaralhavam e só formavam  palavras sem sentido!
Eu não entendo...
Finalmente consigo dormir, então você vem em meus sonhos: fala coisas que eu sequer consigo entender!
Então você vai embora sem olhar pra trás e não me deixa falar! Mais uma vez...
Eu não entendo...
Daquilo que sei; uma das quais eu não consigo entender: Existem pessoas que nem percebem que tem a alma perfumada! Nos enebria a mente, nos envenena a alma, nos tiram o coração, nos deixa sem ar ao partir...