12 de fevereiro de 2009

Quando a canção tocou na hora errada ...



Era um fim de tarde quente de janeiro (que culminou numa chuva torrencial), eu estava à caminho de casa. O trânsito lento e o festival de buzinas me deixava irritada; eu tamborilava impaciente o volante e olhava meio que entorpecida pelo vidro embaçado, a chuva cair. Aquela fila de carros intermináveis me deixava sonolenta, enquanto eu buscava uma forma de fugir dali,  através da música, apertando os botões do rádio.
Aumento o volume,  a música entra sorrateira em meus ouvidos, e fico como que em estado de transe. Incrível como algumas músicas conseguem nos remeter ao passado, com uma rapidez impressionante!
Tudo volta na mente: cheiros, gestos, palavras...pessoas!
Fico ali, sorvendo a letra em meus pensamentos, enquanto os pingos da chuva taborilam pesados no capô do carro, acompanhando o ritmo e o compasso do "drums" na música. Mergulhada em lembranças, fico pensando: como cada música que já ouvimos é trilha sonora de um momento só nosso!...aqueles que  procuramos reter na memória. Às vezes o roteiro dos acontecimentos se esvai das lembranças , mas a trilha sonora que pontuou aquele momento mágico, aquele dia (fica retido no tempo e no espaço), fazendo você relembrar de cada detalhe! (como a Gwen Guthrie me fez recordar com " You touched my life").

Ah! aquele momento... 
O timbre sensual é de uma mulher saudosa e apaixonada... mas mesmo que a personagem da minha lembrança, da minha história, tenha envelhecido como eu, o amor tenha acabado, o sentimento se esvaído...o coração pula ao ouvir essa música . Lembrei até um trecho de uma poesia melosa que costumava reler: ".. Sinto saudades daquela coisa boa que foi você..." com um trecho de Roberto Carlos acompanhando de fundo: "...onde você estiver, não se esqueça de mim..."
Aquele  ano de 1991 voltou silencioso e sorrateiro na minha memória, dando solavancos de saudades em meu coração!
Como é que algumas notas de música conseguem reviver tanta emoção? Só quem carrega o segredo de ser especial pra alguém:  ser musa ou não de alguém , sabe.
Recordar que já ouviu um dia de alguém especial : " Essa é a nossa música..."
Nos últimos acordes , suspiro fundo e volto à mim : mais cansada e mais doída... quase tendo nas mãos, o meu velho coração. Ele, abarrotado de lembranças e de sentimentos secretos em suas minúsculas gavetas...
Mas aquilo que vivi foi real, eu sei... aquele momento acompanhado dessa música , aquele lugar, aquela pessoa comigo... foi real ...  I_N_E_S_Q_U_E_C_Í_V_E_L!!!
Mesmo que as nossas vidas hoje, não se encontrem novamente, foi bom o que ficou.
Como disse Gonzaguinha na sua música ("FELIZ"), " Foi ... foi...  foi... foi bom e pra sempre será , ma-ra-vi-lho-sa-men-te ... AMAR!"
 O que as músicas me dão de emoção, quando as ouço... ninguém me tira!
Só Deus pra saber o que se guarda  com tamanha importância, o coração de uma mulher.

23 de janeiro de 2009

CLUBE DOS CAFAJESTES 2

O Cafajeste perfeito tem que ser lírico, poético, romântico e decente : Estilo Don Juan de Marco, pras mais atrasadas de entendimento e inteligência . Se for de outro modo, torna-se risível ... Não há saída pra esse tipo de sedutor. Ou tem a manha ou percebe-se logo que é um caricato, na primeira cantada ou piscadela.
Ou é um doublê de Clark Gable  em " E o vento levou " ( Aquele olhar pra Scarlet O`Hara  seduziria ainda  nossas mães e talvez nossas filhas, rs...).
Se não tiver aquele "olhar 43", a classe e a destreza, será uma cópia barata de " Zé Bonitinho" rs...
O Cafajeste amador é a piada de qualquer mulher em torno de uma mesa de bar, na "night" . Claro! ele quer "traçar" todas, ser simpático, mas não é devotado a nenhuma delas . UM BLEFE humano! Não sabe  e nem procurou saber que nem no amor e nem no sexo, existe "mensalão", nem santo "milagreiro" . Se esse tipo barato está com alguma mulher, é caridade dela! e não porque ele tenha charme ou sex appeal de sobra.


O Cafajeste poético não é nada óbvio. Sabe tratar bem qualquer mulher, até as que ele nem sonha em conquistar.Se devota à mulher que ninguém dá nada por ela : aquela menos bela e sensual. E de repente, descobre que mesmo se tratando de um sexo sem precedentes e algo sem futuro, ela se mostra um vulcão nunca antes despertado pras artes das 4 paredes. Ele se surpreende com sinceridade , demostra carinho e deferência.

O Cafajeste amador é um falso malandro. Está fora de forma, mas se julga um deus do sexo. Não sabe se vestir e nem combinar roupa e sapatos. Parece um "Didi Mocó" metido à metrossexual com tendências distorcidas de moda. Já no cafa romântico, qualquer peça lhe cai bem. Ele se cuida, sabe o que agrada aos olhos femininos. A ciência dele não está na roupa: está no olho, na pegada e na forma de chegar na sua presa, sem parecer que está se oferecendo.

O verdadeiro cafa não entra onde não é convidado. E sendo convidado a entrar no Saloon, não atira pra todos os lados. Não gasta suas balas e nem marca sua "carabina" à toa. Sempre escolhe UM alvo. O alvo! AQUELA que vai fazer os amigos dele babarem e querer estar no lugar dele a qualquer custo. Pergunte a qualquer homem... Se ele prefere uma "Deusa" ou uma "Mortal" pra "abater?" As "simplezinhas" não contam no "quorum" do cafa verdadeiro, só do amador. O cafa caricato "saca o revólver" com as mulheres de amigos,com as amigas solitárias, com as que estão "tacando pedra em avião"(sic); embora ele só tenha munição pra matar uma vaca trôpega à caminho da roça.

O falso cafa geralmente é só "garganta" com os amigos. Transando ou não, diz que transou e muitoooo!
Diz que faz e acontece, querendo virar uma lenda urbana. Seu caminhão não perde nenhuma viagem. Mas "areia" que é bom, ele nem sabe escolher. Prefere o "barro"... rsrs...dos banheiros!
O Cafa romântico é discreto, acredita na devoção pura e simples da conquista. Nem que seja por uma noite apenas e nada mais. Toda mulher em seus braços, vira "princesa do seu conto de fadas". O cafa canalha faz falsas promessas, mente exageradamente, porque tem algo de podre a esconder: E é ele mesmo.

O Cafa romântico, mas evoluído, sabe que a mulher moderna de hoje pode estar querendo apenas sexo! Então ele não é a fantasia , ele faz a mulher liberar suas fantasias.
O Cafa caricato se acha o máximo! o tempo todo. O cafa romântico e ciente dos seus atributos sabe que hoje está por cima e amanhã pode estar por baixo : mas sempre com uma bela recordação pra contar! Não apenas com a " marcação do tiro, no alvo".


Na cartilha do cafa de verdade não há nojos nem proibições - sabe chupar uma "manga" como ninguém ! Por causa de sua pedagogia no mundo cafa, seu desempenho é sempre motivo de suspiros pras mulheres que ele, digamos, "traçou" . Elas se encarregam do boca-à-boca. O Cafa dos bons, não precisa  ele mesmo, fazer a propaganda. Ele "é a propaganda" . E se a "propaganda" é a alma do negócio...
O Cafa amador corre pro chuveiro depois da transa. Sexo pra ele é mais do que troca de fluídos, é uma forma de contágio de doenças: da alma e do corpo. Mesmo com camisinha, ele se sente sujo.
O Cafa amoroso e amigo da parceira na hora do sexo, é aquele que se pudesse voltaria pra dentro do útero da mulher que ele escolheu : ali, naquela hora, a mais linda da cidade. Útero pra ele, ali, é o seu sagrado.

O Cafa amador e barato se contenta muitas vezes com o sexo oferecido por qualquer uma ou o virtual : Aquele sem cheiros, sem odores, sem comprometimento... ele não sabe se comprometer. Tem medo!
Ele, o amador e cafajeste barato, não sabe que pra se curar um amor platônico, precisa-se bem mais do que uma "trepada homérica" : Precisa saber que amor é algo mais forte do que sua própria essência ou condição de amar. O Cafa romântico se importa, com ambas. É solicito no amor sem comprometimento; te faz ver, mesmo que por pouco tempo, que amor e sexo, andam separados. Mas mesmo assim, conseguem te fazer feliz antes, durante e depois do envolvimento  fulgaz.


23 de dezembro de 2008

EU, POR OSCAR WILDE





"Ela é muito inteligente;
inteligente demais, para uma mulher.
Falta-lhe o vago encanto da fraqueza.
São os pés de barro que dão valor ao ouro da estátua.
E os pés dela...pés mimosos...não são de argila.
Passaram pelo fogo, e o fogo enrijece o que não consome."

  (Oscar Wilde)

8 de dezembro de 2008

Amor & Traição: do limite à razão.




Custei muito a ter coragem de escrever sobre esse tema tão delicado. Mas a inspiração veio num fim de tarde quente, do mês de novembro, ao encontrar um velho amigo e confidente na rua, onde paramos pra tomar um chopp e papear. Sim! tenho amigos que me abrem o coração, a alma: sem constragimento, sem pudor. Isso se chama confiança mútua aliada à discrição. Leva-se anos pra se construir uma relação de amizade e confiança . Poucos no mundo as conquistam nesse patamar ( ainda mais se tratando de relação de amizade entre homem e mulher), o machismo de muitos, não permite . Mas, me orgulho de manter esse "status de porto seguro" pra algumas dessas pessoas, tão especiais em minha vida.
O papo "girou" em torno de uma "pulada de cerca" do dito cujo. Ao ser questionado por mim ( e minha curiosidade no motivo: claro! tudo tem motivo de ser...), a resposta veio incisiva:
 -  Não sei ao certo, mas acho que foi por certas insatisfações que foram sendo constantes ...
Novamente pedi que citasse algumas dessas razões, pra que eu pudesse formar pelo menos uma idéia, do que leva um homem a trair uma mulher; e ele me respondeu categoricamente:
- Ela deixou de ser mulher! não que tenha mudado de comportamento drasticamente. Mas deixou de ser vaidosa , de ser interessada nas coisas de ser mulher! se acomodou na vidinha de casada e de mãe ...
Fiquei meio que abismada!(mas, quem sou eu pra criticar?!) perguntei pelo sexo como andava e ele dizia que era morno, esporádico e com hora marcada. PRONTO! tava feito o estrago na vida deles ...
Então ele saiu em busca de novidades... fora de casa.
Confessou que a "intrusa" no casamento tinha roubado seu coração; mas que era covarde demais pra se apaixonar novamente e tentar outro relacionamento . Mas sofria pela menina que se foi (a que ajudou a trair) e se tornou amargurado (por causa da esposa) ; a quem ele não reconhecia mais como a mulher pela qual se apaixonou. E me perguntou com olhos ansiosos e ávidos :  -  O que faço?
Disse apenas: -  Decida-se! Você sente falta da renovação do amor: do fogo, da novidade, da sensualidade. Por isso buscou fora ; daquilo que você já conhece como seu. O mistério do novo atrai e prende os sentidos. O que você já conhece, cansa e se satura com o tempo. Renove seu amor, seu relacionamento . Seja sincero com você. Sejam sinceros um com o outro. Se o amor acabou é hora de partir. Se não, é hora de renovar ...
                                           Aí entra a criatividade de cada um de nós... pra retomar o controle da situação.
Dei umas dicas, que pelo visto foram infalíveis... o fim do dilema dele veio num telefonema de agradecimento, posteriormente. Respirei aliviada!
Normalmente se erra mais do que se acerta, quando se trata de opinar sobre a vida alheia. Mas isso tudo me deu uma lição importante, independente de tudo: O que se renova, se aprimora... melhora! Estagnação combina com fracasso... sempre! ... seja na vida sentimental, pessoal ou profissional.
 Isso não é novidade?! sabemos... teoricamente. E na prática usual?
 O vazio que fica quando o outro, o(a) parceiro(a), não acompanha nossos anseios é que contribui pro fracasso da relação: dá a vontade de trair . E não adianta salvar o que não tem salvação. Quando essa vontade é latente e constante é hora de parar e refletir sobre o que está corrompido. Se o amor ainda existe, é possível resistir . Se não, é hora do adeus! ... sem piedade de si e do outro(a). Ninguém é feliz causando a infelicidade do outro. Estar junto de corpo e separados de alma, não é solução pra nenhum relacionamento.
Por que você começa a sentir que voltou a ser estranho(a) com aquela pessoa que até a pouco tempo era tão íntima de corpo e alma?
Porque o amor tá chegando ao fim...ou chegou... isso é imutável.
Mas se você ainda olha pra ele(a), e sente que ainda há esperanças...você se lança no desafio de reverter o que aparentemente está perdido. Foi o caso desse amigo meu. Às vezes, não há falta de solução: falta alguém que encoraje você a tomar uma decisão, que diga se você está certo ou errado, que opine ... só isso. Ninguém tem solução clássica pra traição ou pra resolver a vida de quem sofre ou pratica a traição. Nem argumentos pra usar como desculpas pra esse ato; considerado infame pra alguns.
A traição nada mais é do que você externar um descontentamento, uma insatisfação com o outro, perene. Se é desculpável ou não, isso é discutível. Deve ser analisado caso a caso.
 As chamadas patologias emocionais ou psicológicas, entram nesse âmbito. Precisam ser detectadas e tratadas . Mas elas afloram de outras maneiras: mais agressivas, mas egoísticas... mais latentes e constantes. É um vício redibitório da alma.
O descontentamento com o(a) parceiro(a), com a relação, é mais sutil. Por isso custa a ser detectado como problema, de início. É necessário que ocorra uma série de fatores pra que desencadeie essas insatisfações, e fazer com a pessoa pratique a traição: como uma forma de se aliviar emocionalmente.
A melhor solução ainda é o diálogo sincero a dois: antes, durante e depois de uma traição.
(continua um dia...)

19 de novembro de 2008

Ipseidade: O mergulho na alma.
" A pessoa em que me tornei, a sensação única de ser eu mesma, o sentir-me um ser que se reconhece numa estrada feita de ontem, um Ser de força, coragem, medo, esperança, feita de hoje, um projeto realizável no amanhã. Tudo isso é uma função da mente, tudo isso é produzido por uma entidade que mora em mim, tão real quanto meu coração que bate, minha memória que recorda, minha inteligência que descobre. [...] o self me dando uma sensação de presença é a ipseidade: uma sensação de eterna continuidade...Quando penso o que sou, quem sou, como sou e para que sou, percebo o conceito de ipseidade." [...]
                            (RIBEIRO, Jorge P. Gestalt-terapia: refazendo um caminho)

6 de novembro de 2008



QUANDO RASGUEI MEU CORAÇÃO...

Sinto falta de você. Mas o que sinto falta é de tudo o que é seu:e que me falta.Sinto falta de minhas faltas que em você não faltam.Sinto falta do que eu gostaria de ser e que você já é! Estranho jeito de carecer, de padecer de amor...
Hoje,neste ímpeto de honestidade que me faz dizer,eu descobri minhas carências inconfessáveis, que insisto em manter veladas. Acessei o baú de minhas razões inconscientes! e descobri um motivo para não continuar mentindo. Hoje eu quero lhe confessar o meu não - amor! Mesmo que pareça ser. Eu não tenho o direito de adentrar o seu território; com o objetivo de lhe roubar a escritura da alma. Amor só vale a pena se for pra ampliar o que já se tem.Você era melhor antes de mim, e só agora pude ver...
Nessa vida de fachadas tão atraentes e fascinantes;nestes tempos de retirados e retirantes, sequestrados e sequestradores, corremos o risco de não saber exatamente quem somos! Mas o tempo de você saber já chegou. Não quero mais conviver com o meu lado obscuro, e por isso, ouso direcionar meus braços na sua direção (na dose de honestidade que hoje me cabe). Hoje quero lhe confessar meu egoísmo sentimental.Quem sabe assim eu possa ainda, por um instante, amar você de verdade.
Perdoe-me se meu amor chegou tarde demais! Se meu TE QUERER bem é inoportuno e em hora errada! É que hoje eu quero lhe confessar meu desatino, meu segredo tão desconcertante e bem guardado: ao dizer que sinto falta de você, eu confesso que sinto falta é de mim mesma...também.

3 de novembro de 2008